Atualiazação de “Os Carismáticos” saiu em português…mas só em formato digital.

Na década de 70, John MacArthur escreveu um dos melhores livros sobre o movimento neopentecostal, The Charismatics, que chegou ao Brasil anos depois pela Editora Fiel sob o título muito literal, Os Carismáticos. Digo muito literal porque “charismatic” em inglês abrange todo o movimento neopentecostal, e no Brasil “carismático” se limita à resposta católica ao movimento neopentecostal (renovado) da igrejas evangélicas.

Já que o movimento neopentecostal continuou a evoluir, o livro foi atualizado na década de 90, recebendo o novo título, Charismatic Chaos (tradução literal: O Caos Carismático). Na verdade, só mudaram os exemplos e ilustrações, pois o ensino bíblico que respondia aos problemas do movimento neopentecostal vinte anos antes continuava respondendo aos problemas do movimento nos anos 90s. Afinal, os argumentos de MacArthur são baseados nas eternas Escrituras, e o que acaba mudando são as situações aos quais se aplicam, não os princípios a serem aplicados. Isto é bom, pois não receberíamos a atualização do livro aqui no Brasil até que se passassem 18 anos.

Mas enfim, está aqui! A atualização Charismatic Chaos foi lançado em português. Tenho apenas três queixas sobre este livro:

  1. Continua com um título muito literal: O Caos Carismático. Não se enganem pelo título. Se quiserem uma excelente exposição das falhas básicas doutrinárias do movimento neopentecostal (todo, e não só católico), este continua sendo um dos melhores livros.
  2. Só chegou em formato digital. Infelizmente, este livro que tem tanto a oferecer para um país saturado de neopentecostalismo, livro que passou por cinco edições na sua forma original, não chegará às prateleiras. Isto será um problema para muitos pastores que não têm acesso a materiais digitais.
  3. É possível que já esteja desatualizado. Eu não li esta versão nova do livro. Mas, a não ser que a editora fez uma versão mais atualizada do que a edição norte-americana de 1993, este livro já sai com 18 anos de atraso. Como disse, os princípios são os eternos, mas o livro dará de exemplos e ilustrações que não são mais atuais.

Claro que estas queixas são mínimas. O título a gente supera, como superamos cinco edições do livro com o título anterior. O formato digital só é ruim para quem não tem acesso. Para nós que gostamos de computadores, é uma coisa boa. E quanto à contemporaneidade do livro: passamos de 34 anos de atraso para 18, então ganhamos um pouco. Os eternos princípios bíblicos continuam sendo atuais.

Além do mais, eu admito que todas as minhas queixas não têm a mínima importância por um simples fato:

O livro é um download gratuito!

E sendo assim, vamos dar graças a Deus, e agradecer à Editora Fiel: O Caos Carismático saiu no Brasil!

[Para receber este livro é só se cadastrar no site da Fiel]

O Email que o Diabo Amassou.

Eu sei que já escrevi sobre a importância de fontes confiáveis quando se trata de emails que passam e repassam pela internet, mas esta não podia deixar passar. Recebi recentemente não uma, mas duas vezes, esta mensagem (creio que via o Orkut) sobre a uma suposta conversa entre Satanás e Jesus:

Um dia Satanás e Jesus estavam conversando. Satanás acabava de ir ao Jardim do Éden, e estava fazendo graça e rindo, dizendo:

— Sim senhor. Acabo de apoderar do mundo, cheio de gente lá embaixo. Eu armei a eles uma armadilha, e usei uma isca que sabia que não poderiam resistir. Caíram todos!

— O que vai fazer com eles? Perguntou Jesus.

— Ah, vou me divertir com eles. Respondeu Satanás. Vou ensiná-los como se casar e se divorciar, como odiar e abusar um do outro, a beber e fumar, e, é claro, os ensinarei a inventar armas e bombas para que se destruam entre si. Realmente vou me divertir!

— E o que farás quando se cansar deles? Perguntou Jesus.

— Ah, os matarei. Disse Satanás com os olhos cheios de ódio e orgulho.

— Quanto quer por eles? Perguntou Jesus.

— Ah, você não quer essa gente. Eles não são bons. Porque os salvaria? Você os salva e eles te odeiam. Vão cuspir em seu rosto, vão te maldizer e te matarão. Você não quer essa gente!

— Quanto? Perguntou novamente Jesus.

Satanás olhou para Jesus e sarcasticamente respondeu:

— Todo o seu sangue, suas lágrimas e sua vida.

Jesus disse:

— FEITO!

E assim foi pago o preço.

Eu até imagino a pessoa ou as pessoas que escreverem esta mensagem pensando, “Cara, o final arrasou. ‘E assim foi pago o preço.’ Uau, até me dá calafrios, e foi eu que escrevi!” Então o autor adicionou uma série de perguntas que servem para nos pesar a consciência para que repassemos mensagens como esta, e não “milhares de mensagens com piadinhas pelo e-mail, as quais se espalham como pólvora.” Eu também imagino as pessoas de boas intenções que me repassaram este email pensando como é boa esta “verdade.”

Mas, peraí, gente! Por favor, parem de ler mensagens como esta, e leiam as suas Bíblias! Esta mensagem está cheia de erros que a mais simples leitura da Bíblia deveria ressaltar. Sim, eu entendo a ideia de criar histórias para ilustrar conceitos bíblicos. Afinal, Jesus Cristo usou parábolas para falar de verdades eternas. E nós temos histórias, teatros, poesias, etc., que fazem o mesmo, mas estes têm que refletir verdades bíblicas. Tudo bem, conte uma história fictícia sobre Jesus conversando com Satanás no Éden, mas pelo amor de Deus, e de Cristo, e das Escrituras, coloquem um diálogo coerente com as Escrituras!

Mas, pastor, qual o problema tão grave com esta mensagem?

Esta história não reflete o que a Bíblia diz sobre a natureza de Satanás. Não pretendo dar um resumo da história toda de Satanás, e sim apenas ressaltar algumas coisas pertinentes a esta história. Vejam: só porque Satanás enganou ao homem, o que levou a sua desobediência (o pecado original), não significa que passamos a pertencer a ele. Este conceito é errado por pelo menos dois motivos: 1) Satanás não é igual a Deus. Ele é um ser criado, da mesma maneira que nós somos seres criados. Ele se opõe a Deus, mas não é, e nunca será, igual a Deus. A realidade é que o bem e o mal não batalham como iguais, como muitas religiões insistem. O bem, que não é um conceito ou uma força mística, e sim um Deus vivo e eterno, é infinitamente maior que o mal, que, por definição bíblica, é aquilo que se opõe a Deus, que inclui Satanás, mas não se limita a ele. 2) Satanás não é dono de ninguém. Quando a Bíblia diz algo como, “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo” (João 8:44), não está dizendo que pertencemos no sentido que ele é o nosso dono, e só voltar a pertencer a Deus se formos comprados dele. Não, no contexto estava falando de parentesco. Os religiosos estavam declarando seu relacionamento com Deus a partir de serem filhos de Abraão, e Jesus estava esclarecendo que nada mais eram do que filhos do pai que obedeciam, ou seja, Satanás. Nós somos, sim, escravos do pecado (Ro 6:20), e enquanto Satanás mantém uma certa posição acima daqueles que se opõem a Deus, ele é um condenado acima de outros condenados: ele é apenas um capataz entre os escravos do pecado. Afinal de contas, o homem que persiste no pecado e a rebelião contra Deus (que não aceita a salvação gratuita de sua alma na obra completa de Cristo na cruz) irá compartilhar um juízo que foi, primeiramente, “preparado para o Diabo e os seus anjos” (Mt 25:41). Satanás é poderoso, sim. Ele é o acusador dos santos, ele está em uma campanha de destruir as vidas do maior número de pessoas possíveis, e de levar consigo no julgamento o maior número de almas (não como dono, mas como miseráveis companheiros na sua ruína e juízo final). Mas não é, e nunca será, aquele do qual Deus tem que comprar as almas das pessoas.

Esta história não reflete o que a Bíblia diz sobre a natureza de nossa salvação em Cristo. A ideia de Jesus “pagar” pelos pecados levou a uma conclusão aparentemente lógica de que se alguém pagou, pagou para alguém. É uma ideia bastante capitalista. Mas a Bíblia não fala de capitalismo espiritual. Pensem sobre isto: se eu vir que o meu filho está na rua, prestes a ser atropelado, e, na tentativa de salvar o meu filho, me jogar na frente do carro, lançando o meu filho longe do perigo, e levando todo o impacto, poderia se dizer que paguei um alto preço pela salvação do  meu filho. Mas paguei para alguém? Não, porque a expressão não significa uma troca de serviços ou moeda, e sim um alto custo. Nosso pecado nos condena à morte eterna, à separação de Deus por toda eternidade. Para superar esta deficiência espiritual causada pelo pecado, Deus diz que é necessário a morte. E não só a morte, mas o castigo eterno. E mesmo assim, o pecado é tão grande, tão profundo, que nunca seria pago, nem que fosse por toda eternidade. Quem poderia “pagar” este preço? Apenas um, e este é Jesus. Ele, por ser o infinito Deus, por ser o homem sem pecado, o segundo Adão que obedeceu em tudo a Deus Pai, e só Ele, pôde se oferecer como o sacrifício perfeito. Pagou para Satanás? Que nada! Já vimos que Satanás é outro condenado! Ele pagou no sentido que falei, de oferecer, em nosso lugar, o que nós não podíamos quitar nem que tivéssemos toda eternidade para fazer prestações. Tanto que na Bíblia, estes termos de pagar, comprar, etc., são usados como metáforas do mercado de escravos: nós, os escravos do pecado (não almas pertencentes ao Diabo), fomos comprados da escravidão.

E mais uma coisa: esta história não reflete o que a Bíblia diz sobre o plano de Deus para a nossa salvação. Existem muitos versículos que falam sobre o plano de redenção de Deus. De fato, a Bíblia toda é a história da redenção do homem (claro, centrado em Cristo, para a glória de Deus)! Mas leiam o que Paulo diz a nós por meio da carta aos Efésios (1:2-14):

A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado. Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos, Nele fomos também escolhidos tendo sido predestinadosconforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória. Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.

Sem entrarmos naquela eterna discussão teológica sobre a predestinação, quero ressaltar apenas uma verdade da qual está tão saturado este texto que praticamente sangra: a nossa salvação é o plano de Deus em Cristo desde antes da criação. Termos como escolher, predestinar, propósito, vontade–todos estes apontam para o fato que Deus sabia o que ia acontecer, e já havia antes da criação planejado a história da nossa redenção em Cristo.

Esta história do Orkut coloca todo o poder nas mãos de Satanás, e até coloca nas suas mãos o plano para nos redimir, pois é ele (na história) que decide o preço da nossa salvação, e Jesus (da história) é fraco (por não conseguir nos manter do engano), ingênuo (por querer pessoas tão pecadoras), e impotente (tendo que aceitar o preço cobrado por Satanás).

Deus nos livre de mensagens como esta! Deus nos guarde na Sua Palavra para termos o discernimento para ver o erro de tais mensagens, e de não ceder a pressão de repassá-las. Quer passar algo útil por email, pelo Orkut, pelo Facebook, etc.? Passe e repasse a Palavra de Deus. E se for algo secundário–uma história, uma peça, uma foto, ou que seja–que seja algo coerente com a única fonte que tem autoridade divina, a Palavra de Deus (1 Tim. 3:16-17).

Casamento em Crase

Esse a ‘tem crase’?

Pergunta meio marota esta. Sim, porque o a não tem crase em lugar nenhum. Crase é o nome do fenômeno de fusão de dois aa. O acento grave, hoje, só se usa para indicar a crase; portanto, basta perguntar se o a tem acento grave.

A crase é um fenômeno que ocorre independentemente da nossa vontade. Quando alguém, inadvertidamente, não acentua o a craseado, isso não significa que o fenômeno deixou de ocorrer. O fenômeno ocorreu, apenas deixou de ser indicado. De outro lado, quando se coloca o acento no a desnecessariamente, não se indica absolutamente coisa nenhuma, porque, se o fenômeno não se dá, não será por nossa boa-vontade que ele forçosamente se dará.

(Luiz Antonio Sacconi, “Não Erre Mais” 28a edição, Ed. Harbra, p. 130)

Este artigo sobre a crase abriu os meus olhos para a perspectiva equivocada que muitos têm quanto à crase. Por mais interessante que seja, para muitos realmente não interessa se crase é acento ou fusão; vão continuar perguntando se o “a tem crase” de qualquer forma. Mas o que realmente me marcou sobre este artigo é um paralelo muito interessante que podemos fazer entre esta questão de gramática e a questão de casamento na sociedade moderna. Em muitos países, legisladores estão considerando, e até aprovando, leis que reconhecem como casamento a união de parceiros homossexuais. A pergunta que estão tentando responder é “este casamento é válido?” Eu digo que se aceitarmos a definição bíblica do casamento, esta pergunta faz tão pouco sentido quanto a pergunta sobre a crase.

Vejam só: se aceitarmos a Bíblia como a palavra de Deus (entenda—se você não aceita este ponto de partida, então o resto de argumento não fará a menor diferença), então Deus é o autor não só da criação, mas do homem, e do casamento. É o plano Dele para o relacionamento mais básico da humanidade; é átomo do qual a matéria da sociedade é formada. E quem define o que é um casamento é Deus, e Ele criou e instituiu uma união de um homem e uma mulher numa aliança para o resto das suas vidas mortais. Isto séculos antes de existir cartório algum para aprovar ou não um casamento. Como a crase tem uma definição no dicionário, o casamento tem sua definição na Bíblia. Se aceitarmos ou não, crase acontece ou não acontece, independentemente do nosso reconhecimento; se aceitarmos ou não, casamento acontece ou não acontece, independentemente do nosso reconhecimento (individual ou civil). Ou seja, não adianta perguntar se “o casamento homossexual é válido?” pois pela definição se é homossexual, nem seria casamento, muito menos válido.

E não é só união homossexual, não, viu? Existem muitas formas de união humana que faltam os elementos necessários para serem definidas como casamento, mesmo que sejam reconhecidas e aprovadas pela autoridades civis ou a sociedade. Existem outras que são irregulares perante a lei civil, mas mesmo assim constituem um casamento legítimo (Deus sendo acima de qualquer governo).

Temos que entender que se o nosso governo optar por reconhecer estas uniões, não estarão “mudando a definição do casamento” como alguns dizem; simplesmente estarão dando aprovação humana a uma união humana. Como também se a partir de hoje o governo anulasse todos os casamentos no cartório, estes não deixariam de ser casamentos! Por quê? Porque quem define isto é Deus, e não o ser humano.

Não será pela força de nossa vontade que o casamento vai mudar de definição. Como acontece em qualquer área da vida, o que muda é a nossa aceitação do plano de Deus. Da mesma forma que aqueles que usam o acento grave de forma incorreta cometem um erro de gramática; aqueles que definem o casamento à sua maneira cometem um erro: este erro também tem nome, queira ou não. Deus define isto como o pecado.

Agora, me ajudem com outra pergunta: Este gato na minha mão, é rottweiler ou pastor alemão?

Conhecendo Lou Priolo

Lou Priolo e Eu

Foi uma surpresa muito agradável quando fiquei sabendo que Lou Priolo, autor de vários livros excelentes na área de aconselhamento, estaria visitando o Brasil este ano. A princípio, eu pretendia assistir suas palestras em Caldas Novas, mas houve alguns contratempos, e vi que não ia dar certo. Então tive uma segunda surpresa agradável: Lou Priolo, ao terminar em Caldas, estaria dando um workshop no sábado, dia 14 de agosto, na Igreja Batista da Vila Mariana, que fica mais ou menos uma hora e meia de onde eu moro. E ao ligar para receber informações tive a terceira surpresa agradável: o workshop estava sendo organizado pelo NUTRA (Núcleo de Treinamento, Recursos e Aconselhamento Bíblico), dirigido pelo Pr. Jayro Cáceres, da Igreja Batista Pedras Vivas em São Paulo.

Em outubro de 2008, eu estava nos EUA com a família, cuidando de algumas coisas relatadas ao falecimento de minha sogra em julho do mesmo ano. Minha esposa e eu assistimos a conferência da NANC (que traduzido seria Associação Nacional de Conselheiros Noutéticos) em St. Louis, no estado de Missouri. Ao entrar no elevador do hotel, reparei que dois casais estavam conversando em português. De brincadeira, eu entrei na conversa, avisando que tinham que “tomar cuidado, porque pode ser que alguém entenda o que estão dizendo.” Foi assim que conheci Pastor Jayro.  Aí estávamos nós, nos conhecendo enquanto visitávamos os EUA, sem saber que nós morávamos no mesmo estado no Brasil, e que, em apenas dois anos, estaríamos conversando no telefone sobre um workshop que ele estava organizando.

E foi assim, que um encontro “por acaso” num elevador de St. Louis ocasionou a minha visita a São Paulo este fim de semana, não só para rever o Pr. Jayro, como também ouvir Lou Priolo, e depois conhecê-lo e almoçar junto com ele. Foi um dia muito abençoado. Tive a oportunidade de comprar dois livros do Lou Priolo já traduzidos para português pela editora NUTRA: O Coração da Ira, e O Caminho para o Filho Andar. Se já não leu estes livros, eu recomendo que vá para sua livraria imediatamente, ou faça contato com a editora NUTRA, e compre. Ambos são excelentes na área de educação de filhos, mas O Coração da Ira tem aplicações bem mais abrangentes para alguém que se interessa em aconselhar pessoas biblicamente.

Fique atento nos elevadores, gente! Pode ser que “por acaso” você conheça alguém que mude sua vida. Se não, pode ser que alguém te conheça, e lhe dê oportunidade de mudar a vida dele.

Pai

Uma coisa interessante da Bíblia é que temos poucos bons exemplos de pais. Pelo contrário, temos Adão, o primeiro pai, criando os filhos num mundo amaldiçoado pelo seu pecado contra Deus; temos Jacó mostrando preferência por José; ou Eli criando filhos que morreriam por causa da sua desobediência no sacerdócio. Interessante é que os melhores exemplos que temos–Abraão e José–não pareciam ser muito bons. Afinal de contas, Abraão quase matou o seu filho, e José . . . bom, José nem era pai do Filho que conhecemos tão bem. Mas estes dois se destacam para mim pela mesma característica: ambos colocaram sua obediência a Deus Pai acima de qualquer consideração.

No capítulo 22 de Gênesis, lemos que Deus mandou que Abraão sacrificasse seu filho Isaque. Era um pedido absurdo–sacrificar o filho que tanto queriam, e que Deus havia prometido e de maneira miraculosa dado a pais idosos. Um pedido absurdo, sim, mas com um propósito único: provar a fé de Abraão. O histórico de Abraão era de altos e baixos na fé, ora deixando tudo que conhecia pela fé, ora confiando na própria força, ou na própria astúcia. E não creio que a prova era para Deus ver a fé de Abraão, mas para nós, caros leitores. No meio de uma vida muito, mas muito humana, Abraão pôde se destacar como o pai que tinha tanta fé em Deus, que não pouparia nem o filho, acreditando que Deus poderia trazê-lo de volta à vida novamente. E por estranho que pareça, se Abraão não mostrasse esta disposição, não teria sido um bom pai para Isaque. Graças a Deus que Ele não pede este tipo de prova para nós hoje, mas a lição ainda vale: se vamos ser o melhor pai possível para os nossos filhos, Deus tem que estar em primeiro lugar.

Deus sabia que não iria deixar Abraão sacrificar Isaque, pois tinha planos de oferecer o seu único Filho, não só no lugar de Isaque, mas no lugar de todos nós. Para isto, Deus pediu a participação de um pai convidado–José. Para gerar um filho, Deus Pai não precisava de um pai humano, mas providenciou para Jesus um pai adotivo que o criaria para que crescesse “em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lucas 2:52). Não pense que foi fácil, não. Já pensou? Ser noivo, feliz da vida com planos de casamento, e descobrir que sua noiva está grávida? E pior, ela está falando que é de Deus, com anjo como testemunha? Fazer o quê? Mas quando instruído pelo anjo do plano de Deus, José demonstrou que mesmo não sendo o genitor, obedeceria para pudesse ser o pai. Não temos mais da história dele, e mesmo assim, ele se destaca como sendo um bom exemplo para nós. Por quê? Porque ele se dispôs a fazer a vontade de Deus Pai.

A verdade é que a falta de bons exemplos, tanto na Bíblia quanto na vida, não nos impede de ser bons pais. Isto porque achamos o maior e melhor exemplo em Deus. Ele  é pai primeiro por nos criar, mas já que nós nos separamos Dele pelo pecado, Ele escolheu ser nosso pai de outra maneira. Ele entregou o seu único Filho, Jesus Cristo, no nosso lugar, para nos reconciliar, nos adotando como filhos. Se nós colocarmos as nossas vidas como pais nas mãos deste Pai, seguindo os seus conselhos e obedecendo as Suas normas, não tem erro–nós vamos ser pais dignos de entrar na história ao lado de tais como Abraão e José.

Feliz Dia do Pais.

(Artigo no jornal IBABI em Foco, dia 8 de agosto, 2010)

Tiago 3:1-12

Série de mensagens de julho na IBABI

Os membros da minha comunidade, a IBABI em Jacareí, SP, sabem que estamos fazendo uma série no mês de julho chamada “Poucas Palavras, Muitas Lições,” do livro de Tiago. No último domingo, preguei de Tiago 3:1-12, que fala da nossa obediência na área de controlar a língua. Em ocasiões passadas algumas pessoas têm pedido o arquivo Powerpoint ou os slides da minhas mensagens, coisa que não pude dar porque uso um programa incompatível com Windows, o Keynote (para computadores Mac, da Apple). Por isso resolvi disponibilizar arquivos PDF baseados nos slides das minhas apresentações.

Vocês podem clicar aqui para baixar o arquivo de domingo, dia 25 de julho. Espero que seja abençoador na sua semana.

Genérico

O termo “genérico” é um que todos usamos para descrever aquilo que não é de marca. Este sentido é muito conhecido no mundo dos medicamentos genéricos, que têm a mesma composição ativa dos medicamentos caros das marcas das grandes farmacêuticas. Sei que em alguns lugares, outros produtos–por exemplo, alimentos–também vem em forma genérica: só o nome do produto, e não uma marca.

Nos últimos anos “genérico” também tem se tornado sinônimo daquilo que é pirateado. Já ouvi várias vezes a frase “mas pastor, o uso do genérico tá liberado no Brasil” como desculpa para o uso de DVDs pirateados. Neste sentido, o uso de “genérico” é tão falso quanto a própria pirataria, pois o sentido normal fala de um produto com rótulo diferente, mas com conteúdo igual; na pirataria o produto é o falso, ou o inferior, mas com o rótulo igual, justamente para enganar, ou pelo menos aparentar ser o verdadeiro.

Mas isto não é uma mensagem contra a pirataria em si, mas um alerta contra uma pirataria espiritual. É um alerta sobre cristianismo genérico. É um espiritualismo que aparenta ser evangélico, ou cristão, mas que de cristão ou evangélico só tem rótulo. Fala a linguagem, faz a conduta, carrega a Bíblia, mas não contém a mensagem essencial: Jesus Cristo como salvador exclusivo do homem. E como qualquer coisa pirateada, há aqueles que participam cientes do engano, e outros que são enganados sem saber. O trágico deste cristianismo genérico é o fato que o ingrediente ativo que falta é justamente aquele que transforma. Pois sem Cristo não há salvação. Só há o que todo mundo tem de sobra: religião.

Estive num concerto evangélico recentemente, e vi este tipo de cristianismo em prática. Não é que o cantor e sua banda estavam tentando enganar o povo. Não estou tentando denegrir o ministério deles. Mas me deu uma vontade tão grande de berrar em voz alta, “Cadê Jesus, gente?!” O concerto todo era Deus pra cá, Deus pra lá, mas Jesus só apareceu numa forma críptica como “Yeshua” numa frase só, ou como pontuação na letra das músicas: “Ó Jesus!” A mensagem clara do evangelho–a necessidade da salvação por causa da desobediência humana, a reconciliação dos homens a Deus pelo sacrifício perfeito de Cristo na cruz, a promessa de vida eterna–estas verdades simplesmente não foram ditas, tanto na música, como na mensagem falada. Ouvimos que Deus nos ama muito, que Deus quer nosso bem, que Deus é Pai; mas do Filho, do salvador que nos traz em comunhão com o Pai, do ponto crucial–a cruz–nada. Isto é cristianismo genérico. Sem questionar a situação espiritual do cantor e seus músicos, posso falar que sua mensagem não continha nada que trouxesse os ouvintes mais próximos a Deus, pois o nosso único mediador não teve vez.

Vamos largar o cristianismo genérico! Afinal de contas é Jesus que nos traz a um relacionamento com Deus. Vamos falar de Deus, cantar sobre Deus, mas pelo próprio plano revelado Dele, vamos exaltar Jesus Cristo, para a glória de Deus Pai. Afinal de contas, o motivo de medicamentos genéricos é baratear o custo; do genérico da pirataria, de evitar o preço alto do original. Mas a mensagem do evangelho–a boa nova–é que o preço alto já foi pago por Cristo, e Ele é o ingrediente ativo da nossa salvação. Neste caso, o genérico não tem nem lógica. Produto original, e de graça (pela graça de Deus): tem coisa melhor?

Nem Todo Email Que Recebo É Ruim.

Recebi um email da Editora Fiel hoje. Faz algum tempo que me cadastrei com eles, e por isso recebo comunicados, não só sobre os livros e materiais que estão disponíveis pelo site (www.editorafiel.com.br), como também downloads que eles oferecem de graça a clientes cadastrados. No caso do email de hoje, havia um link para um video de John Piper, pastor e autor norte-americano que tem pregado muitas mensagens excelentes, e escrito ótimos livros, alguns dos quais já foram traduzidos para português.

Este vídeo contém uma mensagem que é representativa de toda da pregação de Piper. Piper está falando com jovens, e está ensinando sobre um tema que é central à sua pregação e suas obras escritas: a supremacia de Deus em todas as coisas, para a alegria de todos os povos, através de Jesus Cristo.

Assistam o vídeo abaixo. É um vídeo legendado de 28 minutos de duração. Prestem bastante atenção nos últimos 5-6 minutos, pois a colocação que ele faz sobre a seriedade de Deus quanto à Sua glória, Sua justiça, e quanto ao pecado do homem é espetacular. E esta mensagem é apenas uma numa série de oito mensagens que a editora estará divulgando de graça por email a clientes cadastrados. É claro que a série toda está disponível num DVD produzido e vendido pela Editora Fiel.

Por algum motivo técnico, não deixou que eu colocasse o vídeo aqui, mas você pode clicar aqui para assistir o video no site da Fiel. Talvez tenha que cadastrar-se na Fiel antes, mas é apenas um passo simples.

Não se esqueçam de visitar o site da Fiel (www.editorafiel.com.br). Eles oferecem muitos recursos de graça pelo site–vale a pena conferir.

Fontes Confiáveis?

Aconteceu de novo. Estava conversando com alguém sobre uma coisa ou outra, e no meio da conversa, a pessoa me contou uma história que tinha recebido por email. Era mais uma daquelas histórias cheias de dificuldades que são superadas por uma série de eventos “milagrosos,” que termina com um final feliz. “Nosso Deus é grande, né? Só Ele para fazer coisas assim.”

Na verdade, na maioria dos casos, Deus tem pouco a ver com a história. Como sei disso? Em menos de dois minutos de busca na internet, a maioria das histórias recicladas por email podem ser confirmadas como verdadeiras ou desmascaradas como meros mitos. Dos mitos, alguns são histórias fictícias criadas para ensinar alguma lição. São contos inofensivos, contanto que sejam transmitidos e entendidos como ficção. Outros são histórias também fictícias, mas contadas como fato. A pesquisa rapidamente mostra que são apenas mitos reciclados desde antes da era do email. O mais recente, mencionado acima, circula desde 1954!

Já recebi muitos emails assim. Um dizia que existe um filme em produção que retrata homossexualismo na vida de Jesus; outro fala da atrocidade num país muçulmano, onde um menino tem o braço esmagado por um carro por roubar um pedaço de pão; e outro fala de um milagre que envolve a aparência de Jesus. Dois minutos de pesquisa, e descobri que o filme é um boato que circula desde 1984, e que não existe um filme destes em produção hoje. A “atrocidade” é uma série de fotos de um truque que pai e filho fazem juntos para ganhar dinheiro. O menino não é machucado. O outro circula há alguns anos, e os “fatos” da história mudam cada vez.

Porque isto vale menção no blog? Porque as pessoas que estão me enviando este emails estão enviando como se fossem fatos ocorridos. Dão até glória a Deus por tal milagre acontecido, mesmo quando o milagre não tenha nenhuma coerência com os ensinamentos básicos das Escrituras. Eu menciono aqui estas coisas para exortar os irmãos ao discernimento quando lendo estas histórias, e muito cautela ao decidir passá-las adiante para os amigos na sua lista.

Até onde podemos confiar em fontes além das Escrituras? Bem, nas palavras de Pedro, “[Nós, os discípulos] não seguimos fábulas enganosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fomos testemunhas oculares da sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando pela Glória Magnífica lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; e essa voz, dirigida do céu, ouvimo-la nós mesmos, estando com ele no monte santo. E temos ainda mais firme a palavra profética [ou seja, as Escrituras] à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:16-21)

Aqui está Pedro, que não só viu Jesus, como também o ouviu (por pelo menos três anos de ministério, e depois da ressurreição), dizendo que a palavra “ainda mais firme” é aquela que vem por inspiração de Deus (2 Tim. 3:16-17 fala disso). Já pensou? Alguém que viu Jesus, ouviu Jesus, andou com Jesus (andou até nas águas com Ele!), está dizendo que mais firme do que o testemunho dele é a palavra que vem para nós de Mateus, Marcos, Lucas, João, e Paulo (e até as cartas de Pedro que foram escritas sob inspiração), pois enquanto as informações que vêm dele tem possibilidade de erros, enganos na memória, as palavras destes autores vêm direto de Deus, sem os mesmos erros e enganos. Quanto mais devemos valorizar as Escrituras hoje, então, quando não temos testemunhas vivas como Pedro e os outros? Quanto mais devemos usar cautela quando lendo sobre supostos milagres, aparecimentos de Cristo (como se Ele fosse aparecer aqui antes da sua Segunda Vinda!), e outras histórias que se escondem atrás do anonimato da internet?

Quero deixar três coisas claras:

  1. Eu não estou desprezando a ação de Deus no mundo hoje. Eu não decido o que Deus pode ou não fazer. Mas Deus não vai agir senão conforme a Sua palavra, de forma coerente. O que faz Deus tão confiável é que Ele não mente. Ele não só faz o que diz, mas também age de acordo com o que Ele diz. Avaliem essas histórias. São coerentes com a revelação própria de Deus nas Escrituras? Se não, então para o lixo com elas, e não as repasse! Se forem coerentes, descubra se são fatos, ou meras histórias criadas para ensinar, e repasse-as com sabedoria.
  2. Eu também não estou dizendo que não existem atrocidades por aí dos quais precisamos ser alertados. Mas antes de repassar um email, confirme a história. Não deixe que o sensacionalismo crie tanta dúvida que as histórias verdadeiras são descartadas junto com o lixo. Eu adoro mexer com Photoshop, então eu sei o quanto fotos podem ser alteradas com pouco esforço. Não confie em tudo que vê.
  3. Nós temos a palavra mais certa, mais firme–as Escrituras inspiradas por Deus! Eu não acho necessário ler uma história inventada sobre uma ação milagrosa que não aconteceu para glorificar a Deus. A minha existência é um milagre (Salmo 139:14); a minha nova vida em Cristo é um milagre (Efésios 2:4-7). E eu sei disso porque Deus me disse, não porque alguém me mandou um email.

Vamos ler a palavra “ainda mais firme.” Ela vem de uma Fonte Confiável.